Mais de 260 pessoas, entre professores, sindicalistas, políticos e amigos participaram nesta quinta-feira, dia 15, do coquetel em comemoração ao Dia do Professor e que teve homenagem especial ao ex-presidente do Sinpro Augusto Petta.
Augusto, depois de ter estado à frente do Sinpro como presidente por nove anos, seguindo na Diretoria até fevereiro deste ano, afastou-se do Sindicato para se dedicar ao Centro de Estudos Sociais (CES).
A cerimônia de despedida e reconhecimento foi marcada por dois momentos especiais onde foi exibida a trajetória de Augusto Petta, desde o movimento estudantil, em 1968, até os dias atuais. O diretor do Sinpro e professor do Anglo, Herick Martin Velloso, o Piu, preparou um vídeo com fotos, documentos e matérias veiculadas na Imprensa na época em que se iniciou a disputa pela diretoria do Sindicato em 1976, revelando fatos como a prisão de Petta durante o congresso da UNE, depois sua atuação e liderança na defesa dos interesses dos professores.
O presidente do Sinpro Cláudio Jorge e os ex-presidentes, que sucederam Petta a partir de 1990, fizeram uso da palavra e aproveitaram para lembrar da história de lutas que sempre uniu as diretorias do Sindicato a partir de 1981. Cláudio Jorge lembrou do grupo de professores que em 1976 começou a se organizar para retirar do Sindicato aqueles que estavam na Diretoria, mas não representavam os interesses da categoria. "O Augusto, ao lado do Rubens Gabriel Abdal, do Rui Campos e de todos os pioneiros da nossa luta conseguiu em 1981 tomar o sindicato para os trabalhadores. Nessa gestão atual ele deixou de compor a Diretoria do Sinpro, mas reconhecemos nele a figura fundamental de organizador e formador dos trabalhadores. A homenagem ao Augusto é uma homenagem a cada professor neste nosso dia", disse.
A primeira mulher a dirigir o Sinpro foi Marilda Aparecida Ribeiro Lemos. Logo após as três gestões de Augusto Petta, Marilda esteve à frente do Sindicato entre 1990 e 1996. Ela conheceu Augusto Petta ainda no movimento estudantil. "Nossa geração teve um privilégio, porque nós não observamos a história, nós participamos dela. Nós enfrentamos anos difíceis e depois no Sindicato, com o Augusto ajudamos a criar a Federação dos Professores do Estado de São Paulo e ajudamos ainda a construir a Contee. Tudo isso com a liderança do Augusto e a força de grandes companheiros", contou Marilda.
Outra presidente do Sindicato e companheira de Augusto Petta há 37 anos, Maria Clotilde Lemos Petta, a Tide, foi a maior articuladora da homenagem. "Quando comecei a pensar como poderia contribuir para a homenagem resolvi pedir às pessoas que enviassem mensagens de coisas que marcaram suas vidas em relação ao Augusto. Tivemos manifestações de várias regiões do Brasil, de professores, jornalistas, sindicalistas, amigos, políticos. Então decidimos editar um livro com as mensagens, porque elas mostram o quanto o Augusto é especial", revelou Tide.
O também ex-presidente do Sinpro por duas gestões, entre 2003 e 2009, Reginaldo Alberto Meloni, lembrou de duas histórias que marcaram sua vida como sindicalista e protagonizadas por Augusto. "Eu entrei no Sindicato em 1990 e lembro que fomos fazer uma manifestação contra o Carbonari. A Polícia chegou ao local para reprimir o movimento e me lembro do Augusto ter argumentado com a polícia explicando que nossa luta era justa, naquele jeito calmo. Depois de alguns meses que entrei na Diretoria acompanhamos um processo grande de demissões que o Sindicato não conseguiu impedir. Eu fiquei muito nervoso, contrariado e me lembro que no final do dia o Petta me chamou para conversar e disse : ‘lutas são ganhas e lutas são perdidas. Fizemos tudo o que foi possível fazer e agora temos que continuar'. E essa imagem foi muito importante para mim. Já como presidente do Sindicato o Augusto continuou sendo uma referência para mim", contou Reginaldo Meloni, acrescentando que Augusto Petta era uma figura imprescindível, daquelas capazes de mudar o curso da história.
Convidados
O papel histórico de Augusto Petta na defesa dos interesses e direitos do professores e na luta pelo socialismo foi ressaltado por diversos convidados entre amigos, sindicalistas, políticos e também familiares. Participaram da homenagem compondo a mesa de autoridades, o ex-deputado federal e membro da CTB Nacional, Nivaldo Santana, o vereador por São Paulo, Jamil Murad, o vereador de Campinas, Sérgio Benassi, o presidente Nacional do PCdoB, Renato Rabelo, o ministro dos Esportes, Orlando Silva Júnior e o secretário municipal de Esportes de Campinas, Gustavo Petta, filho de Augusto.
Estiveram presentes também à homenagem representantes da Contee, da Apropucc, dos Sindicatos dos Professores de Minas Gerais, Sorocaba, Sinpro Valinhos e Vinhedo, Sinpro Vales, Sindviários, Sintratel, STU, Sindicato dos Sociólogos, Secretaria Municipal de Educação. A UNE - União Nacional dos Estudantes, enviou uma carta que foi lida durante o ato, lembrando do papel despenhado por Augusto Petta no movimento estudantil.
Emoção
Augusto Petta iniciou sua fala dizendo que a homenagem tinha um significado muito grande e que só confirmava que o caminho traçado em sua vida foi o correto. Ele agradeceu as mensagens editadas na forma de livro, colocadas em mural e defendeu a continuidade do trabalho coletivo, necessário para transformar a sociedade.
Ao encerrar sua fala ele lembrou que no mundo mais de um bilhão de pessoas passam fome e fez um chamamento: "Nós não podemos descansar enquanto houver um ser humano com fome no mundo. Nós sabemos que o grande responsável por isso é o Capitalismo. Não haverá solução para os problemas do mundo enquanto não houver a derrubada do Capitalismo e para isso, a Juventude é fundamental. Precisamos nos preparar, cada vez mais, para uma longa e difícil caminhada até a conquista do socialismo", disse encerrando seu discurso.
A festa de homenagem teve uma última surpresa reservada pela família. A filha mais velha de Augusto e que também foi líder estudantil em Campinas, Ana Cristina Lemos Petta, a Tininha, preparou um vídeo com mensagens da família e de amigos próximos, que foram companheiros de Augusto nos anos da repressão ao movimento estudantil. Na homenagem falaram Tide, mulher de Petta, os filhos Gustavo, Tininha, Helena e Renata, a neta Maria, além dos companheiros de 1968, Luis Carlos de Freitas e Helena de Freitas, e o membro da CTB Nacional João Batista Lemos.
A festa do Dia do Professor continuou com coquetel e música ao vivo até as 2 horas da manhã.