No capitalismo a regra básica é comprar a mão de obra (trabalho) pelo menor preço e vender o produto desta mão de obra pelo maior preço possível. É o que chamamos de exploração capitalista, a base principal do sistema.
Aqueles empresários do ensino que vêem a educação como mercadoria e a escola como posto de comércio usam de todas as artimanhas para fazer valer esta regra e conseguir menores custos e maior faturamento, sempre ao preço de superexplorar seus professores e valendo-se, não raramente de propaganda enganosa.
Para estes, nós professores somos apenas um custo a mais, que, na visão deles precisa ser reduzido (através, por exemplo, da construção de carreiras docentes com pisos cada vez menores) ou ter sua "produtividade aumentada" (através, por exemplo, de nos repassar trabalhos típicos de secretaria).
É hora de dizer que nossos limites já foram ultrapassados!
Um caso que cada vez mais ganha importância é o do uso das tecnologias. Esses patrões apropriaram-se dos benefícios da tecnologia para dar "um brilho a mais" à sua mercadoria e entulhar os professores com trabalhos extras, sem oferecer as necessárias condições e sem a justa remuneração. Em geral o professor já tem que trabalhar com classes superlotadas e realizar tarefas fora de sua jornada regular, sem a remuneração adequada. As novas tecnologias, se por um lado vão se impondo de forma inevitável, por outro, do modo como são usadas pelos empresários da educação, pioram ainda mais as condições de trabalho do professor. Com isso estamos submetidos a jornadas ACIMA DO LIMITE aceitável, não apenas para o exercício de nosso trabalho, como para uma vida digna e até para manter a saúde.
Nessa lógica de comércio, o patrão parece ter sempre razão e o professor tem que arcar com o estresse de ver-se tratado ABAIXO DO LIMITE de sua dignidade profissional, forçado a tarefas que não lhe competem e lhe tomam o tempo do estudo, da cultura, da família e do lazer e que não têm direito à remuneração e salários justos.
A campanha salarial que se inicia é o momento para dizer que o PROFESSOR TEM LIMITES, que estes limites foram ultrapassados e que nossa saúde física e mental corre sérios riscos. Não podemos permitir que nossa vida, nossa saúde e nossa dignidade profissional sejam colocadas em risco pela ganância desenfreada.
É preciso dar um basta ...e uma das formas de fazê-lo é participar das atividades da campanha salarial, comparecendo às assembléias convocadas pelo sindicato, dando sugestões, sindicalizando os colegas e resistir ativamente.