- FAM usa nova carreira docente para rebaixar salários

A Associação Educacional Americanense - FAM, de Americana, está contratando pela "nova carreira", professores com a mesma titulação de seu corpo docente, mas pagando quase a metade do valor da hora-aula para os novos.

A constatação foi feita nesta quinta-feira, dia 25, durante uma reunião solicitada pelo Sinpro Campinas com os representantes da Instituição e serviu para confirmar a tese levantada pelo Sindicato no final do ano passado, de que a FAM estava demitindo professores antigos para contratar novos por salários mais baixos. Os salários diferenciados para professores com a mesma titulação ferem o princípio da isonomia previsto pela CLT e pela Convenção Coletiva de Trabalho do Ensino Superior.

A diretoria do Sinpro alertou os representantes da FAM para a ilegalidade e aproveitou para cobrar o fim dos contratos temporários de professores, retomados a cada ano letivo, além da abertura da Instituição para que o Sindicato possa conversar com os professores. A Instituição informou que agora está contratando os professores dentro da carreira e que futuros ingressos se darão por concurso. O Sinpro disse que a nova carreira não tem qualquer valor, porque o Sindicato nunca foi chamado para discutir a proposta implantada.

A FAM foi cobrada também pelo pagamento dos salários sempre no 5º dia útil e pelo trabalho extra com as novas tecnologias, que exigem dedicação cada vez maior dos professores, com atendimentos online de alunos e preparação e envio de aulas.

Em resposta os representantes da Instituição disseram que o atraso do pagamento só ocorreu uma vez e que o uso das novas tecnologias não é obrigatório para os professores, embora conte como item de avaliação do MEC, junto à Instituição. O Sinpro contra-argumentou e disse que a não utilização de novas tecnologias também é avaliada pelos alunos e pela própria Universidade, acabando por prejudicar o professor que não as adota.

Demissões
Em dezembro do ano passado, a FAM demitiu 50 professores do quadro de efetivos, muitos deles com doutorado, e outros docentes que detinham contratos por tempo determinado. Muitos professores tomaram conhecimento da demissão por telegrama enviado no dia 15 de dezembro, três dias antes do prazo limite estabelecido pela Convenção Coletiva.

A demissão em massa contrariou as informações passadas poucos dias antes, ao presidente do Sinpro Campinas, Cláudio Jorge, quando a Instituição informou que seriam desligados apenas professores com contratos temporários (contratos estes, que segundo a Convenção Coletiva de Trabalho do Ensino Superior só podem ocorrer em casos de substituição de licença saúde, licença-maternidade).

No dia 3 de dezembro, o Sinpro Campinas esteve ao lado dos alunos da FAM, num protesto organizado com o objetivo de exigir a divulgação da lista do corpo docente que iniciaria o ano letivo de 2010. Os estudantes temiam que a exemplo de anos anteriores, houvesse um grande número de demissões de professores, afetando a qualidade do ensino.