- Alunos fogem da ideia de virarem professores

Pesquisa realizada pela Fundação Carlos Chagas constatou que apenas 2% dos estudantes do ensino médio se interessam pela carreira do magistérioBaixos salários, péssimas condições de trabalho e desvalorização da carreira. Essas são as principais causas que afugentam os estudantes do ensino médio da profissão de professor como provam os dados de uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas, ao indicar que somente 2% dos vestibulandos escolhem o magistério. Por isto, já existe a falta de 300 mil professores das áreas de exatas como as disciplinas de física, química, biologia e, principalmente, matemática.

O perfil dos poucos que ainda se dedicam à carreira de professor também está mudando. Na década de 50, as mulheres, na maioria das vezes, tornavam-se professoras e os homens, advogados. Eram profissões para pessoas de classe alta. Hoje, são os alunos da classe C e D que optam pela carreira de professor. Para os estudantes carentes, o maior atrativo é a garantia de emprego, principalmente nas escolas da rede pública de ensino. Para a professora de história, do ensino fundamental, Kélbia Cristina Medeiros, a carreira docente é vista como mais "barata" pelas classes populares. "Professor é uma profissão desvalorizada entre os próprios estudantes. Eles são descrentes dessa carreira. O curso de licenciatura é o mais fácil, mais barato e mais rápido para se formar. Os alunos dos colégios particulares não querem ser professor, por ter uma visão de vida diferente. O aluno vê em sala de aula as dificuldades do professor, o dia a dia, é complicado e eles sabem que o educador não ganha bem", afirma a professora.

Segundo o especialista em educação, Remi Castioni, a impressão que os estudantes têm da carreira se forma durante o ensino médio, considerado o mais defasado na etapa da educação básica. "O desinteresse pela carreira de professor é por causa da imagem do ensino médio ruim, uma das etapas da educação básica que vai muito mau no Brasil, e que de alguma forma é um elemento contaminador. O ensino médio não tem propiciado uma perspectiva de possibilidades a carreira de professor", observa o professor da Faculdade de Educação da UnB.

Virgílio Almeida, professor de português e coordenador do curso de letras da Universidade Católica de Brasília, acredita que a falta de interesse pela carreira de professor seja semelhante entre os alunos das instituições públicas e privadas.

"A falta de prestígio e, consequentemente, a falta de interesse entre os alunos de escolas particulares e os de escolas públicas é semelhante. A diferença está nas condições que o aluno do colégio particular tem em correr atrás da formação para outras carreiras", opina.

Apesar da falta de professores para a educação básica, a grande preocupação dos especialistas está relacionada à má qualidade de ensino nas escolas. Os estudantes que estão formando nas áreas de licenciatura apresentam graves deficiências de aprendizagem, o que obriga as faculdades a ensinar conteúdos básicos, do ensino fundamental e médio, que os futuros profissionais da educação já deveriam dominar.

"A universidade não consegue fazer milagre. O aluno no curso superior tem quatro anos para recuperar conhecimento de 11 anos de estudo. Geralmente, os alunos que cursam licenciatura são aqueles que não têm condições de investir em uma bagagem cultural maior e conhecimento enciclopédico. O que a pesquisa demonstra é o que a gente vê na prática", analisa Virgílio Almeida.

Fonte: Coletivo-DF