O Carnaval acabou, mas os sindicalistas ainda usam paródias das marchinhas carnavalescas para fazer campanha pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais. Nesta quarta-feira, dia 3, dia de maior movimentação no Congresso, foi montado um corredor humano para passagem dos parlamentares, ao som de: "Você pensa que o povo é bôbo/ O povo não é bôbo, não/ O povo quer 40 horas/ E esse é ano de eleição".
O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Luiz Carlos Oliveira, que acompanhava a manifestação, disse que elas continuarão até que a matéria seja pautada para votação no plenário da Câmara.
As centrais sindicais vão aproveitar o clima eleitoral para pressionar o Congresso a aprovar no primeiro semestre a matéria. Eles acreditam que se for à votação este ano, a proposta será aprovada. O próprio Presidente da Câmara, deputado Michel temer (PMDB-SP) admitiu que a matéria será aprovada caso vá a votação.
Pressionado pelos empresários e trabalhadores, Temer apresentou uma proposta alternativa de redução da jornada de trabalho para 42 horas semanais. Os patrões não querem.
Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, a recusa dos patrões demonstra ao Presidente da Câmara que eles não querem negociar. "Eles não querem abrir mão de nada", diz o líder sindical, acrescentando que "se for o caso (da votação da proposta alternativa), a gente aceita (42 horas)".
Os sindicalistas estão dispostos a manter a mobilização até que a matéria seja pautada para votação. Eles avaliam que na votação, ficará claro quem é o parlamentar que defende o trabalhador. E isso conta bastante em período eleitoral.
Até lá, os parlamentares vão ouvir a musiquinha: ""Você pensa que o povo é bôbo/ O povo não é bôbo, não/ O povo quer 40 horas/ E esse é ano de eleição/ Olhe ai, seu deputado/ Vê se não enrola/ Vá correndo pro plenário/ Votar as 40 horas".
A PEC da redução da jornada de trabalho, de autoria do então deputado e hoje senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), prevê a redução da jornada para 40 horas e o aumento do adicional por hora extra de 50% para 75%. A proposta já foi aprovada por uma comissão especial da Câmara e precisa ser votada em dois turnos pelo plenário.
Fonte: Vermelho