Parou por que, por que parou?

Professor, você já deve ter ouvido que no dia 28 de abril o Brasil vai parar. Mas por que você, que está empregado, trabalhando, deve parar por um dia? Por que razão você deve paralisar suas atividades se seu patrão paga seus salários e direitos? Por que você vai deixar seus alunos sem aula no dia 28? Por que razão você vai se indispor com os pais dos seus alunos?

A paralisação do dia 28 é contra a proposta de Reforma da Previdência e Trabalhista e isso tem a ver com você cidadão, professor, com seu aluno, com os pais de seus alunos e com o futuro do País.

O governo e sua base no Congresso, sem ter apresentado essas propostas ao eleitorado, vem à toque de caixa, enterrar toda a legislação de proteção social construída ao longo do século XX e isso não podemos aceitar.

Outras reformas já foram aprovadas e seus efeitos em breve serão visíveis, como a limitação dos gastos em saúde e educação, a reforma do Ensino Médio e a terceirização indiscriminada.

Mas o pacote de maldades não tem limites e a Reforma Trabalhista visa precarizar ainda mais as condições de trabalho e renda do povo.

A terceirização aprovada dá uma ideia do que vem pela frente. Sem garantias, os trabalhadores passam a ter um intermediário entre eles e o dono da empresa, ou então, viram empresas e arcam com todos custos, deixando de ter os direitos conquistados pelas categorias.

Férias, 13º, pagamento de horas-extras, descanso semanal remunerado podem desaparecer. E para isso eles criaram a figura do negociado sobre o legislado, que dá aos acordos internos status maior que da legislação. Tais acordos poderão ser celebrados sem os sindicatos. Em outras palavras, sob pressão os trabalhadores podem abrir mão de direitos e não haverá nenhum recurso legal possível. É o fim da Justiça do Trabalho.

Na Previdência é o fim da Aposentadoria. Imagine o jovem que terá que contribuir por 49 anos ininterruptamente para a partir dos 65 anos se aposentar integralmente. Claro, isso empurrará muitos para os planos privados, abrindo bons negócios aos bancos, mas jogará milhões de idosos nas ruas. Semelhante proposta foi aprovada na Grécia e os resultados são desastrosos.

O governo sustenta que há muitos aposentados e poucos contribuintes. Isso é uma mentira. A Constituição de 1988 estabeleceu, como aliás em quase todos os países, que a Previdência, que é parte da seguridade social, deveria ser tripartite: Estado, trabalhadores e empresários contribuiriam para seu financiamento. Em alguns países a participação do Estado chega à 74%. Aqui foram criados dois impostos para esse fim: CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) e o COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social). É só você olhar para sua conta de água, luz ou telefone e verá que mês a mês você contribui com a Seguridade Social.

No entanto, esses recursos não são destinados a esse fim e perdem-se nos superávits criados para pagamento de juros e amortizações das dívidas. Ou seja, os impostos criados para diminuir as desigualdades sociais são transferidos, pelo Estado, para os mais ricos, sacrificando a vida dos mais pobres.

Hoje cerca de 2/3 dos aposentados recebem salário mínimo e mais de 4 milhões de pessoas recebem o BPC (Benefício de Prestação Continuada) destinado aos idosos e às pessoas com deficiência, sem meios de se sustentar. Tudo isso corre sério risco de desaparecer.

Os defensores sustentam que em vários países já praticam a aposentadoria aos 65 anos, mas esquecem de dizer que o valor da aposentadoria é maior e a expectativa de vida também é maior. Por exemplo, na Itália a expectativa de vida é de 85 anos enquanto aqui é de 73 anos em nível nacional, enquanto nos estados do Norte, em alguns do NE, MT e em alguns bairros das periferias das grandes cidades a expectativa é inferior aos 65.

Por isso, paralisar as atividades no dia 28 é uma forma de marcarmos uma posição contrária a esse golpe contra o povo brasileiro. O professor tem essa responsabilidade com seus alunos. Não podemos nos abster desse tema.

Nenhum dos deputados e senadores defendeu essas propostas em suas campanhas eleitorais. Se estão tão certos de suas decisões, por que não submetê-las às urnas?

Dia 28 de abril discuta com seus colegas a melhor forma de se mobilizar. Converse com seus alunos sobre o tema. É o futuro deles que está em jogo.

Nossa função social de professor não nos permite a passividade. Temos obrigação de enfrentarmos de peito aberto os desafios e exigir o respeito aos nossos direitos.

O que você vai fazer dia 28 de abril?

Vem Pra Rua!!!

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