Devido a situação caótica da Universidade, professores e funcionários da Unimep, reunidos em assembleia conjunta, segunda-feira, dia 07, decretaram greve a partir da meia-noite de terça-feira, dia 8.

A implantação de um novo sistema de tecnologia adotado pela Rede Metodista na Unimep, à revelia dos funcionários, que já haviam apontado a fragilidade do programa, conhecido como TOTVS, causou indignação entre alunos, professores e funcionários.

“Os alunos não sabiam em quais salas estavam, não conseguiam fazer a inclusão de disciplina, os boletos do mês de julho estavam com problema para serem gerados, os alunos que tinham convênios e bolsas de estudo perderam o benefício nos últimos boletos. É um sistema muito frágil, essa é a nossa grande preocupação e reivindicação”, explica Deivid Wesley Marques, presidente da AFIEP, Associação dos Funcionários do Instituto Educacional Piracicabano.

O Sindicato dos Professores de Campinas e região e a Associação de Docentes da Unimep (Adunimep) já haviam denunciado a situação de precarização do ensino e condições de trabalho dos professores, que afetaram também a vida acadêmica dos estudantes.  A greve se dá devido a medidas acadêmicas, administrativas e financeiras que têm sido adotadas pela Rede Metodista, mantenedora do Instituto Educacional Piracicabano, responsável pela Unimep, em descumprimento às normas internas da Universidade.

Ultimamente, os docentes, funcionários e alunos têm passado por situações de instabilidade e insegurança na Universidade. Alunos não conseguem fazer matrícula, coordenadores não têm acesso à gestão de seus cursos, os salários dos professores são pagos com atrasos recorrentes.

A falha do sistema tem causado prejuízos os alunos da Universidade, como no caso da estudante do último semestre de arquitetura, Marielle Vidal, que após uma semana do início das aulas ainda não sabe a sua grade. “É uma situação muito complicada para mim, eu preciso procurar um emprego, já havia falado com o coordenador do meu curso sobre isso, mas agora com essa instabilidade toda e sem acesso aos meus horários, é impossível me candidatar a qualquer vaga”, lamenta a estudante.

Segundo Conceição Fornasari, secretária geral do Sinpro Campinas e docente da Unimep, o sistema de tecnologia fere a autonomia universitária. “Ele veio de cima para baixo, não passou por nenhum órgão, não passou pelo reitor da universidade, foi um grande desserviço à comunidade, tanto para professores, como funcionários e estudantes”, afirma a professora.  Conceição também destaca outra medida autoritária da Rede Metodista, que ameaça demitir o atual reitor da Universidade, o Prof. Marcio de Moraes, ao se posicionar contra a implantação do novo sistema.

Além disso, a Universidade desrespeita diversos pontos da Convenção Coletiva de Trabalho: frequentes atrasos no pagamento de salários e férias, recolhimento em atraso do FGTS, não disponibilização do holerite até o 5º dia útil do mês e irredutibilidade da carga horária.

Os quatro campi da Universidade estão paralisados. A greve dos professores segue por tempo indeterminando.

Nesta quarta-feira, dia 9, os funcionários farão outra assembleia para definir a continuidade da paralisação. Os docentes também realizarão uma assembleia hoje para avaliar a greve até o momento.

Mobilização Estudantil

Na última sexta-feira, dia 4, os estudantes da Unimep ocuparam a reitoria da Universidade no campus Taquaral, em Piracicaba. Com cartazes espalhados pelo campus com palavras de ordem como “educação não é mercadoria” e “fora Rede”, os estudantes reivindicaram melhores condições de ensino, autonomia universitária, e se posicionaram contra a ingerência da Rede Metodista.

Os estudantes reafirmaram a ocupação do campus Taquaral e também a paralisação, em assembleia nesta terça-feira, 8 e continuam acampados na Universidade. Eles contam com reforços da União Estadual dos Estudantes (UEE), representada pela diretora de Universidades Privadas da entidade, Nicole Carvalho. Estão sendo realizadas aulas públicas no campus, com temas voltados à própria situação da Universidade, para manter o fluxo de pessoas no campus e incentivar o debate entre os estudantes.

Apoio

Os parlamentares da Câmara de Vereadores de Piracicaba aprovaram, por unanimidade dos votos, Moção de Apelo de autoria do presidente da Casa, Matheus Erler, que solicita à Rede Metodista de Educação que cesse a instabilidade no meio educacional. Todos os vereadores assinaram a Moção, apoiando a iniciativa.

A diretoria do Sindicato dos Professores do ABC também enviou uma Moção de Apoio se solidarizando ao movimento dos professores e professoras da Unimep.

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